Nos últimos meses, uma frase tem aparecido com frequência em conversas com gestores de recursos sobre crédito privado: “há muito capital disponível, mas pouco crédito bom para alocar”.
Ela parece contraditória à primeira vista. Afinal, 2025 foi marcado por crescimento relevante do volume de crédito privado via mercado de capitais. Fundos, FIDCs, estruturas híbridas e investidores institucionais demonstraram apetite claro por ativos de crédito. O dinheiro existe. O problema não está no funding.
O gargalo está na originação.
O mito da escassez de capital
Durante muito tempo, a discussão sobre crédito girou em torno de acesso a capital. Quem tinha balanço forte, relacionamento bancário ou estrutura sofisticada conseguia crédito. Quem não tinha, ficava de fora.
O avanço do mercado de capitais mudou essa lógica. Hoje, capital está mais distribuído, mais estruturável e mais disposto a assumir risco, desde que esse risco seja bem compreendido.
Isso desloca o problema central. O desafio deixa de ser quem financia e passa a ser como o crédito nasce.
Originação ruim destrói valor rápido, independentemente da fonte de funding.
Originação não é formulário, é contexto
Na prática, originação ainda é tratada, muitas vezes, como um processo burocrático: coleta de documentos, análise de score, aprovação pontual. Esse modelo funciona para volumes pequenos e relações episódicas. Ele começa a falhar quando o crédito precisa escalar.
Originação de qualidade exige contexto. Exige entender como o cliente opera, como gera receita, como se comporta ao longo do tempo e quais sinais antecedem problemas. Esses sinais raramente aparecem em análises isoladas.
É por isso que o mercado de capitais, apesar de abundante em capital, é seletivo em ativos. Sem boa originação, o risco se propaga rapidamente para toda a estrutura.
Onde os ecossistemas ganham relevância
Plataformas, ERPs e ecossistemas digitais ocupam hoje uma posição privilegiada nessa discussão. Eles não apenas veem o cliente no momento da tomada de crédito, mas acompanham sua operação continuamente.
Esse acompanhamento cria algo raro: visibilidade real sobre comportamento, fluxo e consistência. É exatamente isso que originação de crédito precisa para ser eficiente em escala.
O paradoxo é que muitos desses ecossistemas não percebem essa oportunidade ou ainda enxergam o crédito apenas como um produto adicional e não como uma extensão natural da jornada que já dominam.
Quando a originação nasce dentro do fluxo operacional, o crédito deixa de ser evento e passa a ser processo.
O papel do embedded finance nesse contexto
Embedded finance entra aqui não como conveniência, mas como infraestrutura. Ele permite que a originação seja integrada à operação, reduzindo fricção e melhorando a qualidade da informação desde o início.
Isso não elimina risco. Mas torna o risco mais observável, mais gerenciável e mais alinhado aos incentivos de quem está próximo do cliente.
Sem essa integração, o capital continua existindo, mas encontra dificuldade para se conectar ao negócio real de forma sustentável.
O que isso muda na prática
O crescimento do crédito privado deixou claro que funding, por si só, não é diferencial competitivo. O diferencial está em quem consegue originar melhor, com mais contexto e menos assimetria de informação.
Em um cenário de abundância relativa de capital, originação passa a ser o ativo mais escasso. E ativos escassos tendem a capturar mais valor.
Para quem atua com crédito essa inversão de lógica é central para entender o próximo ciclo.
Em síntese
O crescimento do crédito privado deslocou o centro do problema: capital deixou de ser escasso, originação não.
Originação de qualidade nasce do contexto operacional contínuo, não de análises pontuais ou externas à jornada.
Embedded finance se torna relevante quando atua como infraestrutura que conecta dados, operação e mercado de capitais com critério.
Antes de ir…
A Capstack é uma publicação independente sobre embedded finance, digital banking e gestão de riscos no contexto B2B, escrita a partir da experiência prática de quem atua na interseção entre tecnologia, sistema financeiro e operação.
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Para quem busca entender como esses modelos se materializam na prática, a baasic. atua como plataforma de embedded finance integrada a ERPs, plataformas e ecossistemas de negócios.
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Forte abraço!
Helom Silva


